Publicado por Connectarch
Duração 6 MIN
Data de publicação 15/01/2026
3 tendências de design e arquitetura que estarão em alta em 2026
Se antes a arquitetura era pensada sobretudo para abrigar funções, hoje ela assume um papel mais profundo. Projetar passou a ser também um exercício de escuta do corpo, da mente e do tempo. Em um cenário marcado por excesso de estímulos, fadiga digital e rotinas aceleradas, três conceitos se entrelaçam e apontam para o futuro próximo dos espaços construídos: neuroarquitetura, wellness e sensorialidade. Juntos, eles desenham uma arquitetura mais consciente, restauradora e conectada à experiência humana.
Essa mudança não surge por acaso. Estudos e análises de comportamento, como os apontados pela WGSN, mostram um movimento claro de desaceleração. Pessoas buscam ambientes que favoreçam pausas, conforto emocional e uma relação mais equilibrada com o cotidiano. A casa, os espaços de trabalho e até ambientes comerciais passam a ser pensados como extensões do cuidado pessoal.
Neuroarquitetura: projetar com base no comportamento humano
A neuroarquitetura nasce da aproximação entre arquitetura e neurociência. Seu foco está em compreender como o ambiente influencia emoções, produtividade, concentração e bem-estar. Luz natural, proporções equilibradas, circulação fluida, controle acústico e escolha de materiais deixam de ser decisões apenas estéticas e passam a ser estratégicas.

Em projetos contemporâneos, isso se traduz em espaços que reduzem o estresse e favorecem estados mentais positivos. Ambientes corporativos mais silenciosos e organizados, residências com layouts intuitivos e áreas de transição que respeitam o ritmo das pessoas são exemplos dessa aplicação prática. A arquitetura passa a atuar como mediadora entre o indivíduo e o mundo exterior.
Wellness: espaços como refúgio e autocuidado
O conceito de wellness na arquitetura amplia esse olhar. Mais do que conforto, trata-se de criar ambientes que promovam saúde física e mental de forma ativa. Elementos como ventilação cruzada, iluminação natural abundante, biofilia, conforto térmico e materiais naturais ganham protagonismo.
A lógica do slow living, apontada por relatórios de tendências globais, reforça essa abordagem. Espaços pensados para durar, com escolhas mais conscientes e menos excessos, convidam à pausa e à presença. A arquitetura deixa de ser imediatista e passa a valorizar o tempo, o uso contínuo e a relação afetiva com o espaço.

Eventos como a Semana de Design de Milão têm evidenciado esse movimento. Instalações imersivas, pensadas para contemplação e silêncio, mostram como o design pode estimular momentos de introspecção e conexão, mesmo em contextos urbanos intensos.

Sensorialidade: quando a matéria fala com o corpo
É na sensorialidade que esses conceitos se encontram de forma mais tangível. Superfícies, texturas, volumes e cores passam a ser ferramentas narrativas. A arquitetura deixa de ser apenas vista e passa a ser sentida.
Revestimentos com relevos, variações sutis de luz e sombra, acabamentos que convidam ao toque e paletas cromáticas que acalmam são recursos cada vez mais explorados. Tecnologias como 3D Sense da Eliane, e Atmos 3D da Decortiles, exemplificam esse avanço ao criar superfícies com profundidade e realismo, capazes de transformar a percepção espacial sem recorrer a excessos visuais.

Essas soluções não têm como objetivo o impacto imediato, mas sim a construção de atmosferas. São materiais que respondem à luz ao longo do dia, criam leituras dinâmicas e contribuem para o conforto sensorial dos ambientes, seja em áreas residenciais, corporativas ou de uso coletivo.
O futuro como retorno ao essencial
Neuroarquitetura, wellness e sensorialidade não são tendências isoladas, mas partes de uma mesma mudança cultural. Elas refletem um desejo coletivo por espaços mais humanos, menos acelerados e mais significativos. Em 2026, a arquitetura tende a consolidar esse caminho: menos espetáculo, mais intenção; menos ruído, mais presença.