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Publicado por Connectarch

Duração 7 MIN

Data de publicação 21/01/2026

Maison&Objet 2026: referências do passado e perspectivas para o futuro

Todo início de ano traz consigo um certo tom de antecipação. No universo do design e da arquitetura, essa expectativa ganha nome, data e lugar: Maison&Objet. Em janeiro de 2026, a feira retorna a Paris reafirmando seu papel como um dos principais termômetros criativos do mundo, propondo um olhar atento para aquilo que nos trouxe até aqui. O tema desta edição, “O Passado Revela o Futuro”, não é apenas conceitual, é quase um manifesto.

Em um cenário global atravessado por crises ambientais, excesso de consumo e uma estética cada vez mais homogênea, a Maison&Objet responde com profundidade. O design apresentado em 2026 não busca o impacto imediato, mas o significado. Não se trata apenas de ver, mas de tocar, sentir, compreender os processos e as histórias que existem por trás de cada peça.

Arquitetas visitaram a Maison e Objet 2025, em uma das experiências proporcionadas pelo ConnectArch

Mais do que uma feira, a Maison&Objet segue sendo uma grande vitrine internacional de móveis e objetos de decoração, reunindo o essencial para repensar casas, interiores e modos de habitar. O diferencial desta edição está no discurso: o mobiliário olha para suas origens para se reinventar. Materiais tangíveis, saberes artesanais, técnicas ancestrais e inovação responsável coexistem em propostas que valorizam memória, tempo e permanência.

Essa leitura dialoga diretamente com o que também se observa na arquitetura e nos revestimentos. Superfícies deixam de ser neutras e passam a carregar intenção. Texturas, relevos, materiais com aparência natural e processos que respeitam a origem da matéria ganham protagonismo, refletindo esse desejo coletivo por autenticidade e conexão sensorial.

Quatro tendências que conduzem a experiência

A jornada pela Maison&Objet 2026 é guiada por quatro grandes movimentos, que ajudam a traduzir o tema central da edição.

Metamorfose propõe um novo olhar sobre o que já existe. Nada é descartado, tudo é transformado. O upcycling deixa de ser apenas uma prática sustentável e se torna linguagem estética. Objetos mudam de função, forma e significado, reforçando a ideia de que o futuro passa, necessariamente, pela ressignificação do presente.

Em Mutação, o foco está nas hibridizações. Materiais orgânicos se encontram com tecnologias inovadoras, técnicas ancestrais dialogam com novos processos produtivos. É um território onde a fragilidade criativa é valorizada e onde a poesia do fazer manual encontra espaço em meio à inovação.

A instalação foi parte do espaço "What's New? In Decor", com curadoria de Elizabeth Leriche, que explora o macrotema da
"arqueologia contemporânea".

O Barroco Revisitado surge como uma resposta sofisticada à simplicidade excessiva. Uma nova geração de artesãos revisita o exagero, a teatralidade e a riqueza de detalhes, mas sob uma ótica contemporânea. Peças únicas, edições limitadas e objetos de coleção reforçam o valor do tempo, do gesto e da exclusividade.

Já o Neofolclore celebra narrativas locais. Saberes regionais, símbolos culturais e tradições ganham novas leituras ao se misturarem com impressão 3D, fabricação digital e novos materiais. A fantasia é permitida, e até incentivada, como forma de preservar identidades em um mundo globalizado.

Maison&Objet: Uma feira que inspira além do mobiliário

A Maison&Objet 2026 reforça uma tendência que vai além do design de objeto, ela alcança a valorização do sensorial, do artesanal e do que é vivido. Essa abordagem tem reflexos diretos na arquitetura, nos interiores e nas escolhas de materiais, que passam a ser pensadas não apenas por desempenho, mas pela experiência que proporcionam.

Mario Paroli criou uma luminária "gigantesca" para comemorar o 75º aniversário da caneta Bic.

Vale lembrar que, na última edição, um grupo de arquitetas brasileiras participou da feira por meio do ConnectArch, iniciativa que reforça a importância desse intercâmbio internacional e do olhar atento às transformações globais do design.

Em 2026, a Maison&Objet não aponta um futuro distante. Ela propõe algo mais sutil e talvez mais necessário. O olhar para trás, reconhecer o valor do que foi construído e, a partir disso, desenhar caminhos mais conscientes, sensíveis e duradouros para o que ainda está por vir.