Publicado por Connectarch
Duração 6 MIN
Data de publicação 08/06/2026
Bjarke Ingels: o que a nova arquitetura dinamarquesa tem a dizer
Falar sobre arquitetura contemporânea europeia sem mencionar Bjarke Ingels é ignorar uma parte da história. Em pouco mais de duas décadas, o arquiteto dinamarquês transformou seu nome, e o escritório Bjarke Ingels Group, conhecido mundialmente como BIG, em sinônimo de uma arquitetura ousada, inteligente e profundamente conectada à vida urbana contemporânea.
E é justamente essa experiência que os participantes do Conexões Mundo - Dinamarca irão vivenciar neste ano, durante a visita ao escritório BIG, em Copenhague. Além de conhecerem projetos icônicos, eles mergulharão na forma como a arquitetura dinamarquesa vem redefinindo conceitos de cidade, sustentabilidade e bem-estar.

O arquiteto que aproximou a arquitetura das pessoas
Nascido em Copenhague, em 1974, Bjarke Ingels inicialmente imaginava seguir carreira como desenhista de histórias em quadrinhos. A arquitetura surgiu quase como um caminho paralelo, uma maneira de aprimorar suas habilidades de desenho. Mas a profissão rapidamente tomou o centro da sua trajetória.

Após se formar, trabalhou na OMA, em Roterdã, ao lado de Rem Koolhaas, absorvendo uma visão de arquitetura baseada em diagramas, narrativas visuais e pensamento urbano radical. Dali em diante, desenvolveu uma linguagem própria... projetos de grande impacto formal, mas acessíveis, bem-humorados e extremamente comunicativos.
Diferente da geração anterior dos chamados “starchitects”, marcada por figuras mais distantes e monumentais, Ingels construiu uma imagem mais próxima e contemporânea. Seus projetos impressionam, mas também convidam ao uso. Existe leveza em sua arquitetura, e talvez seja justamente isso que a torna tão relevante. Neste artigo, vamos destacar os dois projetos de maior relevância do arquiteto.
CopenHill e a ideia de sustentabilidade prazerosa
Uma das obras mais emblemáticas do BIG é o CopenHill, inaugurado em 2019. Localizado em uma área industrial próxima ao centro de Copenhague, o edifício redefiniu completamente a ideia de infraestrutura urbana.
Na prática, trata-se de uma usina de conversão de resíduos em energia. Mas Ingels transformou o equipamento técnico em algo muito maior, em um espaço público multifuncional. Sobre sua cobertura, foram instaladas uma pista de esqui, trilhas para caminhada, parede de escalada e áreas de convivência.

O projeto sintetiza um conceito frequentemente associado ao BIG: a chamada “sustentabilidade hedonista”. A ideia de que soluções sustentáveis não precisam representar restrição ou sacrifício; elas também podem gerar prazer, lazer e qualidade de vida.
Além de ser uma das maiores iniciativas ambientais da Dinamarca, o CopenHill tornou-se símbolo da ambição de Copenhague em se consolidar como uma das primeiras capitais neutras em carbono do mundo.
8 House e a cidade dentro do edifício
Outro projeto fundamental para entender a arquitetura de Bjarke Ingels é o 8 House, concluído em 2010 no bairro de Ørestad Sul.
O edifício parte de uma ideia simples e ambiciosa: transformar um grande empreendimento em uma espécie de bairro vertical. Em vez de separar funções, a 8 House mistura moradia, comércio, escritórios e áreas de convivência em uma estrutura contínua conectada por rampas e ciclovias que chegam até o décimo andar.

O projeto cria uma experiência urbana tridimensional. Pequenos jardins, caminhos internos e espaços de encontro fazem com que o edifício funcione quase como uma pequena cidade, equilibrando densidade urbana e sensação de comunidade.
Ali, a arquitetura deixa de ser apenas forma e passa a organizar relações humanas, com natureza, mobilidade e convivência coexistindo em um único gesto arquitetônico.
A arquitetura como experiência urbana
Visitar o escritório BIG significa entender de perto uma das transformações mais importantes da arquitetura contemporânea, que é a passagem de edifícios isolados para projetos que pensam comportamento, cidade e experiência.

Os projetos de Bjarke Ingels mostram que sustentabilidade pode ser divertida, que densidade urbana pode gerar qualidade de vida e que arquitetura icônica não precisa ser distante das pessoas!