Connectarch

Publicado por Connectarch

Duração 6 MIN

Data de publicação 08/07/2026

Cobogós Calu Fontes: o design que convida o espaço a respirar

Poucos elementos carregam tão bem a essência da arquitetura brasileira quanto o cobogó. Criado para responder ao nosso clima tropical, ele surgiu como uma solução inteligente que permite a passagem do ar e da luz sem abrir mão da privacidade. Décadas depois, continua atual nos projetos. Talvez porque algumas boas ideias nunca envelheçam.

Em um momento em que a arquitetura volta a discutir conforto térmico, eficiência energética e bem-estar, o cobogó reaparece como um elemento arquitetônico, perfeito para espaços de outdoor. Mais do que um recurso estético, ele se consolida como uma estratégia projetual capaz de favorecer a ventilação natural, controlar a incidência solar e criar ambientes mais agradáveis sem depender exclusivamente de sistemas mecânicos de climatização.

É nesse contexto que surge a coleção de cobogós assinada por Calu Fontes para a Decortiles. O lançamento resgata a função original desse revestimento tão presente na arquitetura brasileira, ao mesmo tempo em que amplia suas possibilidades de expressão por meio da arte, da cor e das composições.

Calu Cobogó Luz Dupla Terracota 22x22cm, Copa Ave AC 3D 160x160cm e Meknès Canyon BR 15x15cm

Entre luz, sombra e movimento

A relação entre arquitetura e luz sempre esteve no centro do trabalho de Calu Fontes. Com mais de duas décadas de pesquisa envolvendo cerâmica, formas e cores, a artista e arquiteta, construiu uma linguagem marcada pela observação pela valorização do trabalho manual.

Na coleção desenvolvida para a Decortiles, essa sensibilidade aparece na forma como cada peça interage com o espaço. Os vazados permitem que a luz atravesse as superfícies ao longo do dia, criando desenhos mutáveis de sombra e profundidade. O resultado é uma experiência que transforma a percepção dos ambientes.

Três interpretações para uma tradição brasileira

A coleção de cobogós da Decortiles com Calu Fontes é formada pelas séries Luz Dupla, Peixe e Grade, cada uma explorando diferentes possibilidades formais e compositivas.

Luz Dupla parte de uma leitura geométrica e resgata a técnica da cerâmica extrudada, processo associado aos primeiros cobogós produzidos no Brasil. Os recortes estruturam a passagem da luz e criam composições que mudam constantemente conforme a incidência solar.

Calu Cobogó Luz Dupla Terracota 22x22cm | Foto: Sla Photo Studio

Peixe traz uma abordagem mais orgânica, inspirada em referências marinhas recorrentes na trajetória da artista. As formas sinuosas e as tonalidades cuidadosamente selecionadas reforçam a sensação de movimento e leveza.

Calu Cobogó Peixe 1 2 Marinho Peixe 1 Ostra Peixe 1 Argento 15x30cm | Foto: Sla Photo Studio

Já Grade investiga ritmo e repetição. A alternância entre módulos vazados e preenchidos permite criar superfícies dinâmicas, explorando contrastes, texturas e diferentes possibilidades cromáticas.

Calu Cobogó Grade 1 2 Petróleo 10x20cm | Foto: Sla Photo Studio

Embora distintas entre si, as três séries compartilham a mesma proposta: transformar um elemento tradicional da construção brasileira em uma ferramenta contemporânea para projetar espaços mais vivos, ventilados e conectados ao entorno.

Uma solução antiga para desafios atuais

Muito antes de conceitos como sustentabilidade e eficiência energética ganharem destaque, o cobogó já oferecia respostas inteligentes para o clima brasileiro. Sua capacidade de favorecer a ventilação cruzada e filtrar a luz natural continua sendo uma qualidade extremamente relevante para a arquitetura contemporânea.

Em fachadas, áreas de transição, varandas, jardins internos ou ambientes integrados, o elemento permite criar barreiras visuais sem interromper a circulação do ar. Ao mesmo tempo, contribui para reduzir o ganho térmico dos espaços, favorecendo o conforto ambiental.

Calu Cobogo Peixe 1 Ostra 15x30cm

A coleção assinada por Calu Fontes reforça justamente essa capacidade de unir desempenho e expressão. Um elemento que nasceu da necessidade funcional e que hoje se consolida também como linguagem arquitetônica.

Em tempos de projetos cada vez mais atentos ao clima, à experiência dos usuários e à qualidade dos espaços, talvez a arquitetura esteja apenas redescobrindo uma velha sabedoria brasileira: deixar a casa respirar.