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Publicado por Connectarch

Duração 7 MIN

Data de publicação 19/08/2026

Aquitetura de Santa Catarina: uma conexão inspiradora

Antes mesmo de entrar em uma fábrica de revestimentos ou conhecer de perto os processos que transformam matéria-prima em design, existe uma outra arquitetura que merece ser observada no Sul de Santa Catarina. Ela está nas igrejas, nos antigos casarões, nas construções rurais e nos pequenos detalhes preservados pelas cidades colonizadas por imigrantes italianos há mais de um século.

Foi essa herança que ajudou a moldar a identidade arquitetônica da região. Técnicas construtivas, materiais disponíveis na época, organização dos núcleos urbanos e uma forte valorização da vida comunitária permanecem presentes até hoje, fazendo da região um território onde patrimônio e cotidiano convivem naturalmente.

É justamente esse contexto que o Conexões Santa Catarina convida arquitetos a conhecer à arquitetura da Região Sul do Estado. 

Cocal do Sul e a arquitetura que acompanha a história da cidade

O ponto de partida dessa experiência é Cocal do Sul, município que nasceu e cresceu a partir da imigração italiana e que preserva parte dessa identidade em sua paisagem urbana.

Um dos principais marcos da cidade é a Paróquia Natividade de Nossa Senhora. Instalada oficialmente em 1947, a igreja ocupa posição central na organização urbana do município e representa um elemento recorrente nas comunidades formadas pelos colonizadores italianos, onde a vida religiosa também estruturava o desenvolvimento social e arquitetônico das cidades.

Ao redor dela, a escala urbana preserva características típicas das pequenas cidades do interior catarinense, com ruas tranquilas, edificações de baixa altura e forte relação entre espaço público e convivência comunitária.

Urussanga e a preservação da memória construída

Poucas cidades traduzem tão bem a influência italiana na arquitetura catarinense quanto Urussanga.

No Centro Histórico, especialmente no entorno da Praça Anita Garibaldi, o conjunto de edificações preserva a memória da formação urbana do município. As fachadas, os detalhes construtivos e a ocupação das quadras revelam uma arquitetura marcada pela simplicidade, pela funcionalidade e pelo uso de materiais locais.

Já no Vale do Rio Maior, a paisagem muda de escala. A comunidade rural reúne algumas das construções históricas mais representativas da região, mantendo viva a relação entre arquitetura, agricultura e modos tradicionais de ocupação do território. Caminhar por essas estradas é compreender como a colonização italiana influenciou não apenas as cidades, mas também a organização das propriedades rurais e da vida comunitária.

Nova Veneza e um patrimônio que atravessa gerações

Em Nova Veneza, a herança dos imigrantes italianos aparece de forma ainda mais evidente.

As Casas de Pedra são um dos maiores símbolos dessa história. Construídas entre o final do século XIX e o início do século XX pela família de Luiz Bratti, utilizam uma técnica trazida pelos primeiros colonizadores, baseada no uso de pedras retiradas do próprio terreno e unidas com barro. O conjunto reúne cozinha, dormitório e estrebaria, preservando um modo de construir que atravessou mais de cem anos praticamente intacto.

Restauradas e tombadas como patrimônio histórico, as edificações demonstram como conhecimento técnico, disponibilidade de materiais e adaptação ao território deram origem a uma arquitetura resistente, funcional e profundamente ligada à paisagem.

Outro importante ponto de visita é o Museu do Imigrante Cônego Miguel Giacca. Inaugurado durante as comemorações do centenário de colonização da cidade, o espaço reúne objetos, documentos e utensílios que ajudam a compreender como viviam as primeiras famílias italianas que chegaram à região e como seus costumes influenciaram a formação das cidades.

Uma arquitetura que ajuda a entender o presente

Conhecer o Sul de Santa Catarina é perceber que arquitetura não se resume aos grandes edifícios. Ela também está presente nas escolhas feitas por quem ocupou esse território há mais de um século, na forma como as cidades cresceram, nos materiais utilizados e na maneira como as comunidades construíram sua identidade.

Essa leitura torna a experiência do Conexões Santa Catarina ainda mais completa. Ao visitar o complexo industrial da Eliane e da Decortiles, os arquitetos entram em contato com a inovação e a tecnologia dos revestimentos. Ao percorrer cidades como Cocal do Sul, Urussanga e Nova Veneza, encontram as raízes culturais que ajudaram a formar uma das regiões mais marcantes da arquitetura catarinense.

É um percurso que conecta passado e futuro, tradição e inovação, mostrando que toda boa arquitetura começa, antes de tudo, pela compreensão do lugar onde ela nasce.